
Rotina. Isso era tudo o que Rosendo sentia ao viajar pela estrada. Cinco anos fazendo o mesmo trajeto todos os santos dias.
- Já não aguento mais! Dizia para si mesmo.
Um lamento tanto sincero quanto inútil. Necessitava do emprego e, próximo aos 50 anos, sabia que estava fora do mercado de trabalho.
- Grande trabalho!
Era supervisor de uma indústria de fertilizantes químicos. Comandava uma equipe de 30 pessoas e recebia um bom salário.
-Serviço idiota!
Estava cansado da atividade profissional e a única coisa que ainda lhe despertava algum interesse era Malu, a nova estagiária.
Malu, linda Malu. Sabia que era muito para ele. Ela só queria que Rosendo, velho acabado, a bancasse.
- Safada! Pensa que me enrola mas ninguém me leva no papo.
Rosendo remoía esses desgostos e todo dia viajava pela estrada por duas horas como um autômato.
Um dia viu à margem dela uma cruz. Nunca a tinha notado. Surpreso parou o carro e desceu para ler o epitáfio. Quase desmaiou ao ler a tenebrosa mensagem.
- Meus Deus!
Nunca mais cruzou a estrada. Abandonou seu emprego, sua casa e a bela Malu. Tudo perdeu seu sentido e seu valor após a leitura daquilo... Uma uníca palavra, simplesmente c....
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